Como adultos aprendem idiomas?

Existe mais probabilidade de aprender algo se ocorrer certos níveis de interação com o conteúdo do que quando o ensino é focado em memorização, de acordo com um estudo desenvolvido pelo psiquiatra William Glasser. Para crianças, o conteúdo lúdico faz o trabalho, mas, para adultos, como proporcionar um nível de interação que faça sentido? Ou ainda, como adultos aprendem chinês?

A forma que adultos e crianças aprendem é muito diferente. Segundo uma pesquisa publicada no ARC Journal of Neuroscience, isso está ligado com a forma que o cérebro evolui até os 12 anos. Então, como há uma nova forma de absorver informação, a forma como se ensina também deve se adaptar. Assim nasceram diversas teorias e métodos para ensinamento adulto.

ANDRAGOGIA X PEDAGOGIA

Muitos entendem que a pedagogia é a ciência que estuda educação e ensino, porém existe uma outra vertente da educação que é direcionada especialmente para o ensino de adultos, a Andragogia.

O ensino direcionado para crianças normalmente envolve atividades e materiais lúdicos, interativos e “divertidos”. Isso porque crianças aprendem através da imitação, repetição e associação. Então, no ensino de um idioma, por exemplo, faz mais sentido que a criança aprenda com músicas infantis, jogos, uso dos sentidos e repetição de palavras.

A andragogia é um termo criado no século 19 por Alexander Kapp, porém, foi melhor desenvolvido e conhecido através dos estudos do educador Malcolm Shepherd Knowles na década de 70. Esses estudos apontavam seis questões que auxiliavam no aprendizado da mente mais madura: necessidade do saber, orientação, motivação, autoconceito, experiência e prontidão para aprender.

Em outras palavras, o método compreende que o adulto precisa ser atuante na educação. Portanto, é necessário que ele se envolva em fatores mais lógicos. E isso não é à toa! As pessoas passam por uma mudança de mentalidade durante o processo de amadurecimento. Isso quer dizer que começa a tomar decisões a partir do senso lógico. Então a forma como adultos aprendem chinês também precisa ser “personalizada”.

METODOLOGIAS E IMERSÃO

Brenda Buhr, designer instrucional e mestranda em estudos linguísticos pela UFMG, explica que “quando você vai alfabetizar um adulto, você precisa que tudo faça sentido na vida dele”. Como exemplo, podemos criar um cenário hipotético no qual temos uma criança e um adulto escolhendo o curso na faculdade: o adulto irá escolher pensando naquilo que combina com suas experiências, desejos e socialização. Portanto, escolherá o que faz sentido para ele. Por outro lado, a criança não se importaria com o curso desde que, de alguma forma, o conteúdo fosse disseminado de forma divertida.

 

Usar contextos em que o aluno possa dispor do que ele está aprendendo na sua rotina ou local de trabalho também é uma forma de educar. Quanto mais imerso o aluno está, mais ele absorve.

O MÉTODO LIN

No Mandarim com a Lin, por exemplo, temos os quatro pilares do método Lin:

1 – IDEOGRAMAS

2 – PRONÚNCIA

3 – CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

4 – IMERSÃO

Dentre os quatro pilares, o que se destaca no método em relação ao ensino para adultos são os pilares três e quatro. Construção do conhecimento se trata de ensinar a partir de contextos da vida real ou contextos cotidianos. Assim, é possível fazer a associação natural do mandarim com regras gramaticais.

O quarto pilar, imersão, traz a cultura chinesa até o aluno. Dessa forma é possível que ele comece a se habituar com a língua. É importante ter contato com o idioma dentro de contextos reais, por isso, são usados e sugeridos sempre conteúdos nativos: séries, filmes, músicas e, canais no YouTube – para que a aproximação de um ambiente de imersão, usando contextos da vida real, seja natural e facilitado.

Vale notar que existem diversas teorias para entender e desenvolver processos de aprendizado para adultos. Entretanto, de certa forma, todas se objetivam em criar experiências para ensino. A partir dessa noção, é possível entender que a imersão é uma forma exemplar de método, se alinhando com a maneira em que o aluno adulto irá trazer a linguagem para o dia a dia. Em outras palavras, a imersão auxilia na adaptação do aluno em experienciar o idioma que está aprendendo.

A NEUROCIÊNCIA E O APRENDIZADO

A neurociência explica que a forma na qual absorvemos informações difere ao longo do amadurecimento cerebral. Isso acontece porque o cérebro funciona como uma esponja quando nascemos. Um canvas em branco pronto para absorver o máximo de informações possíveis. Para se ter uma noção, o cérebro cresce cerca de 80% nos três primeiros anos de vida da criança. Então é evidente que os estímulos sensoriais da criança influenciam na aprendizagem, o que torna a repetição uma ferramenta eficaz de ensino.

Mas quando o cérebro já passou por esse processo de amadurecimento, a técnica de repetição lúdica se torna desinteressante e pouco eficaz. Quase como tentar afirmar muitas informações ao invés de usar a associação de cenários comuns na vida da pessoa adulta, como ocorre na imersão.

 

Por fim, é interessante saber que a memória está diretamente ligada com o aprendizado. Isso porque existem dois tipos de memória: a declarativa e a não-declarativa. A declarativa está relacionada com ações e acontecimentos. A não-declarativa tem a ver com aprendizados, coisas que se tornam habituais (desde amarrar o sapato, até aprender um novo idioma). Para conseguir que o aprendizado seja eficaz, é relevante relacionar memórias não-declarativas com novos ensinos para criar um vínculo mais forte entre o que a pessoa já sabe com o que ela está aprendendo. Portanto isso reflete diretamente na forma como adultos aprendem chinês, por exemplo.

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